SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

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domingo, 8 de maio de 2011

Prisão...

Paula era uma mulher bonita. Não era linda, jamais seria miss Brasil, mas chamava a atenção quando passava, quer seja pelo porte sempre ereto, quer seja pelos lindos cabelos brilhantes
que possuía, quer seja pelo sorriso franco e aberto que estampava seu
rosto. E era esperta a danada, no que somando-se a beleza com a
inteligência, aí sim havia alguém raro e diferente na multidão.
Sua rotina no escritório a consumia, telefonemas o dia todo, reuniões
a marcar e documentos pra enviar, mil e um cuidados com aquele emprego
que tomava parte de seu dia. A noite, era o cuidar do marido, dos
filhos, da louça, das roupas, dos jantares e almoços, da rotina
daquela casa sempre cheia e corrida.
Paula nem se lembrava direito a última vez que foi a um cabeleireiro,
ou quando cuidara das unhas, ou quando comprara uma roupa que fosse
pra si e não pro trabalho. Ela não se percebia mais, não existia mais,
era simplesmente parte de rotinas e lugares e deveres. Não havia mais
esperanças, não havia mais amor, não havia sequer prazer que não fosse
mecânico com o marido indiferente a tudo o que fosse relacionado ao
que sentia e desejava aquela mulher.
A mulher que Paula um dia fora, aquela jovem linda e sorridente, cheia
de planos pro futuro, estava soterrada em meio aos escombros daquilo
que lhe enfiavam goela abaixo e disseram que era vida...
Um dia, do nada, Paula esbarrou com alguém. Talvez seu destino fosse
mesmo que alguém a encontrasse e a olhasse como gente e não como
móvel, ou talvez estivesse escrito que seu destino seria ser, sempre,
aquela com a vida apagada e vivendo no automático, mas sabe-se lá
porque, sabe-se lá o motivo dos acontecimentos, alguém a olhou.
Marcos- o tal alguém- olhou-a como mulher, olhou-a como pessoa,
olhou-a fora daquele sistema em que ela vivia e sim como alguém de
carne e osso e cérebro e sentimentos, que ela era mas já havia
esquecido.
Marcos percebeu -era tão óbvio isso- o quanto Paula era diferente mas
também o quanto ela era infeliz. E percebeu que, talvez, pudesse fazer
algo para mudar aquilo, pois gostava dela sem saber porque, e todas as
vezes que se perguntava:
PORQUE ELA? PORQUE NÃO ALGUÉM MAIS FÁCIL?
a resposta era um silêncio absoluto, e uma frase em sua cabeça,
dizendo que era assim porque era assim...
Paula relutou e relutou. Fugia, saía de fininho, inventava uma
desculpa aqui e outra ali, mas quando ficava sozinha, quando ninguém
estava por perto, quando era ela com ela mesma, olhos nos olhos em
frente ao espelho, a vontade de chorar, de gritar, de sair correndo e
largar tudo tomava conta de seu peito, pois quando aquele cara vindo
do nada falava com ela, quando aquele estranho dizia VOCÊ PODE SER
FELIZ, ela sentia que cada palavra era verdade e sentia que não sabia
mais o motivo de viver aquela farsa em que se meteu. Cada vez que
pensava em sua vida percebia que havia enterrado seus sonhos -e eram
tantos os sonhos enterrados - e percebia que havia feito escolhas
erradas, não uma, não duas, mais, muito mais, e que havia perdido o
que tinha de mais valioso: havia perdido a esperança!
Jamais saberemos o que Paula fez de sua vida. São tantas as Paulas
espalhadas pelo mundo, tantas pessoas que acreditaram em algo e
descobriram o vazio e a solidão, mesmo cercado de muitas pessoas,
mesmo cercada de filhos e maridos, que a história de Paula e Marcos se
perdeu no tempo.
Dizem que ela teve coragem e se entregou, e redescobriu o que era ser
amada e gostada, e o que era sonhar e desejar, e que tomou um rumo em
sua vida que a levou de volta ao local aonde havia enterrado os
sonhos, e uma vez lá, sonhou alguns deles ao lado daquele cara que
surgiu do nada e salvou sua alma e sua vida.
Mas também há os que acham que ela não teve coragem, que se escondeu
atrás de desculpas e histórias do passado, e mesmo sendo infeliz
jamais falou com Marcos de novo, que esperou, ligou, tentou, cansou e
voltou a viver sua vida, deixando para trás aquilo que poderia ter
sido uma linda história...
Vai saber o que aconteceu com Paula...
--
Enviado do meu celular
NO TWITTER: http://twitter.com/caimola
*"O entusiasmo é a maior força da alma. Conserve-o e nunca lhe faltará poder
para conseguir o que deseja**."*
*Napoleão*

3 comentários:

Michele P. disse...

E são tantas "Paulas", "Marias" e "Odetes", marionetes da vida...
Gostei muito do texto e do seu olhar sobre o tema.Pareceu-me diferente de todos os que você já escreveu por aqui.

Um abraço

Sofia - a tchuca do vovô disse...

Nossa...todo mundo é Paula uma vez na vida...adorei seu texto, e ele me apareceu no momento certo. Aliás estou lendo outros e gostando também...Beijo, Fabiana.

Manu Abintes disse...

Oi Marcos.
Ter coragem para enfrentar os próprios medos é um desafio e tanto. Ainda assim não sei se um dia terei... Mas sinto muito a falta de suas palavras aquecendo e fazendo-me rir!
Amo muito você...
Sempre presente..
Paula! :)