SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

Chega junto, arruma um banquinho, senta aí e vem comigo!

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

INDO AS COMPRAS...

Dia desses (na verdade, dia desses mesmo, mas nem lembro quando foi!) fui ao supermercado fazer minhas compras quinzenais, uma vez que pela primeira vez no ano abri minha geladeira e percebi que não tinha requeijão, e pensei:

VOCÊ É O SOLTEIRO MAIS ZÉ-RUELAS QUE JÁ VI NA VIDA! AONDE JÁ SE VIU MORAR SOZINHO E NÃO TER REQUEIJÃO? É COMO NAMORAR UMA GOSTOSONA E IR PRA PRAÇA DAR COMIDA ÀS POMBAS!

Diante de tamanha indignação minha contra eu mesmo, fui às compras, antes que o pior acontecesse...
Solteiro não devia poder fazer compras sozinho. Supermercado é coisa do capeta quando somamos dinheiro, adulto que não gosta de salada e supermercado. Comprei todos os tipos de Danoninho, cup Nodlees de vários sabores,chocolates, bolachas, doces e fui todo pimpão e serelepe pro caixa.

NOTA: Todo escritor que se preze deve, ao menos uma vez na vida, escrever um texto com as palavras pimpão e serelepe. Se não escreveu, tente, você vai gostar de usá-las!

TORNEMOS
Olhei pra caixa, morena linda, moça de olhos azuis, que não resistiu ao meu charme e quebrou o gelo:

NOTA PAULISTA? - disse ela, com voz sexy.

NÃO, OBRIGADO... -respondi com um sorriso nos labios e meu famoso olhar 43,5.

CARTÃO COOP? -falou mais uma vez minha musa da economia doméstica.

Respondi:

NÃO QUERIDA, MUITO OBRIGADO...

Ela começou devagarzinho, lentamente olhando minhas compras, como que se me analisasse, como que se quisesse extrair de mim minha essência, meu âmago, meu eu interior.
Uma bolacha, uma olhadinha de canto de olho.
Um Danone, outra olhadela.
Uma barra de chocolate, mais uma espiadinha em seu novo muso, tipo eu.
No meio da compra, após passar os 17 copos de requeijão, ela perguntou, sorrindo, olhando em meus olhos com aqueles olhos azulados que pareciam brilhar no escuro:

VOCÊ MORA SOZINHO, NÉ?

Hummm... Imaginei a noite ardente que ela deve ter planejado antes de fazer aquela pergunta. Pensei nas mil possibilidades entre nós, em como seria diferente começar um namoro assim, passando pelo caixa do COOP, em como seria interessante ter aquela mulher com requeijão. Particularmente, odeio meleca sexual, acho desperdício de doce de leite, mas para aquela morena dos olhos coloridos, abriria uma exceção. Respondi:

Sim, sim, moro sozinho sim. Alias, moro aqui pertinho, menos de duas quadras... Porque?

Minha mente delirava, pensando na resposta da linda moça dos olhos mais naturalmente azuis que jamais havia visto:

Porque você é um pão e quero você com requeijão! Ou:

Porque descobri, aqui, olhando suas compras, que você é o homem da minha vida! Ou:

Porque olhando tantos cremes, tantos doces, imagino o quão romântico você é, senhor cliente, e eu estou aqui para servi-la e ser sua serva!

Mas não. Mil vezes não. Duas mil vezes não. Ela não respondeu o que deveria ter respondido, e sim o que pensou enquanto passava minhas compras:

PORQUE VOCÊ SE ALIMENTA MUITO MAL! SÓ TEM PORCARIA AQUI! AONDE JÁ SE VIU COMPRAR TANTA BOLACHA, CHOCOLATE! E PRA QUE TANTO REQUEIJÃO? POR ISSO ESTÁ TÃO GORDO, NÃO PERCEBE? FALTA ALGUÉM PUXAR SUA ORELHA!

Olhei aquela bruxa feia que estava no caixa e disse, ríspido, mostrando minha indignação com tudo aquilo que ela havia proferido sobre minha pessoa, sobre minha vida, sobre minhas compras. Falei com raiva de orgulho ferido, com dor de sonhos e planos destruídos, com desprezo por aquela pessoa cujos olhos deviam ser lente de contato vagabunda. Tomei fôlego e falei com voz de machão:

QUANTO DEU?

DUZENTOS E OITENTA E OITO REAIS DE PORCARIA. O SENHOR DESEJA MAIS ALGUMA COISA? QUEM SABE 
UM DIPN’LIK DE UVA?



NÃO, NÃO QUERO MAIS NADA! –disse, já jogando o dinheiro em cima do balcão e aguardando meu troco.

RECARREGAR SEU CELULAR DO BEN 10?

MAIS NADA! MEU TROCO POR FAVOR?


Ela devolveu os doze reais que me eram devidos, e disse:

TENHA UM BOM DIA. PROCURE UMA NUTRICIONISTA.

Eu respondi, educado e lorde inglês que sou:

NEM EXISTE MAIS DIPN’LIK, SUA BURRA!

E saí. Saí carregando a mágoa dum amor impossível, o desprezo da rejeição, mas sabendo que, no final do arco-Íris havia o pote dourado e que, dentro de minutos, minha geladeira estaria cheia novamente, e eu, a lá Vivien Leight, pensei:

'Mesmo tendo que roubar, mentir ou matar, juro por Deus: jamais sentirei fome outra vez!

E me esbaldei com pão com requeijão a tarde toda, para esquecer o que poderia ter sido e nunca será...

5 comentários:

Michele P. disse...

Caro Sr. Aímola

O que nos salva desta vida de todo dia é a capacidade de rirmos de nós mesmos...
Que tenhamos vida longa!

Abraço meu

Dragon Ball disse...

Adorei...
Isso que dá viajar na maionese,ops,requeijão,rsrsrs...mas o importante, como vc sempre diz:é fazer as coisas que gosta e nao por obrigação!

Bjuss

Inaie disse...

rolei de rir...

Manu Abintes disse...

Morri de tanto rir.. agora me enterre!!! kkk
E sim! Ainda existe Dip'n Lik.. outro dia encontrei em uma doceria aqui perto de casa... Mais um motivo para vir me visitar :)

Laura Oliveira disse...

Pérolas do Sr. Aímola. O mundo seria melhor se todo dia fizesse Sol e se todos os dias eu lesse uma msg como essa rsrs ... doi a barriga de tanto rir ....