SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Nobel de Literatura

Herta Müller, mulher romena, é conhecida somente nos países de língua alemã, e olhe lá... Gosta de falar mal do Cheaucescu , dos nazistas e é feia que dói. Ganhou o Nobel de literatura em 2009... (clique no link e veja a foto da usurpadora)

Sim, deram a ela o “meu” Nobel...

Vi a notícia por acaso, enquanto navegava pela Internet, e, confesso, fiquei decepcionado. Difícil admitir isso, difícil aceitar uma derrota, difícil ver-se como o rejeitado. Tinha, confesso, esperanças de vencer o maldito prêmio. Já fui campeão de judô, de jiu-jitsu, já ganhei cinco concursos de desenho (no pré, na 1ª série e na 2ª), já fui quase o prefeito mirim de minha cidade (eu era um ano mais velho do que podia e fui desclassificado!), já ganhei duas rifas na escola e fiz dez pontos na loteca (uma semana, fiz dois, na outra semana mais três, na outra mais um...).

Acreditava, piamente, que tinha chances nessa parada. Acreditava que finalmente meu talento seria reconhecido em todo planeta, que as pessoas me carregariam nas costas, que haveria desfile de carro aberto pelas ruas de Sampa, eu com o meu... meu... (o que ganha o vencedor do Nobel, além do dinheiro?)... o meu... troféu (acho!). Imaginava minha chegada triunfal ao aeroporto de Guarulhos, onde os fogos de artifício, a bandinha de música, as cheers leaders, com seus shortinhos curtinhos e acrobacias eróticas, gritando:

-Celso, Celso, Celso... Rá, rá, rá!

Ele é formidável... Avel. Avel, avel..

Ele é maravilhoso... Oso, oso, oso.

Ele é magnífico... ifico, ifico, ifico.

Ele é deslumbrante... brante, brante, brante.

Ele é ignóbil... Nobel, Nobel, Nobel! 


(nota do autor: apesar de muito e profundamente conhecer a língua portuguesa, me escapa à memória uma palavra que melhor combine com NOBEL, para o desenvolvimento dos gritinhos das teen leaders. Solicito, portanto, que desconsiderem o sentido pejorativo da palavra, utilizando, para uma perfeita e relaxante leitura de meu texto, somente o som por ela proporcionado.) 

Voltemos ao texto e deixemos explicações para depois:

O presidente Lula me receberia nas escadas do avião, juntamente com o presidente do senado, da câmara federal, do governador Serra e do Paulo Rabbit, um escritor desconhecido que eu ajudei no anonimato.

-Companheiro Celso: você é o orgulho dessa nação varonil...

-Eu sei, senhor presidente, eu sei.

-Nós temos o maior orgulho em recebê-lo, depois de sua jornada histórica. Nunca antes na história desse país, alguém, além de mim, fez uma jornada única, retumbante, maravilhosa, universal, como essa... Mas só você se tornou o ÚNICO BRASILEIRO VENCEDOR DE UM PRÊMIO OSCAR DA PAZ!

-Foi o Nobel de Literatura, presidente, mas eu sei que vocês têm o maior orgulho em poder tocar-me... Pode tocar-me. Quer um autógrafo? 


Entrevistas no Jô Soares, plantão do Jornal Nacional, abertura de ruas e avenidas com meu nome, mudança do nome de Piracicaba para Celsópolis...

Glória. Paz. Magnitude. Mulher. Dinheiro. Mais mulher. Cartões de crédito internacionais sem limite. Mais mulher. Tudo isso, não necessariamente nessa ordem...

Começaria a dizer às pessoas que, para economizar tinta, não escrevessem meu nome completo e sim usassem somente C.A., assim como o agora inferior do L.F.V. (EU GANHEI O NOBEL!), pois TODOS saberiam que aquelas simples iniciais seriam as de uma pessoa impar, assim como vemos J.C. e deduzimos que é Jesus Cristo.

Mas, não. Dez vezes, não. Mil vezes, não! Não me deram o Nobel e não virei nome de cidade, de rua, de estrada, de bordel ou de pensão barata. Não me deram o Nobel e o Lula nem veio me cumprimentar. Não me deram o Nobel e eu não fiquei lindo e charmoso, assim como o Ronaldinho ficou, depois de assinar seus contratos de milhões de dólares. Não me deram o Nobel...

Essa talzinha de Herta Müller que faça bom proveito de suas glórias mundanas e fúteis. Ninguém que conheço vai lê-la, nunca, jamais, pelo menos não em romeno, a cretina... E quanto ao Nobel, eu nem queria mesmo. Façam bom proveito. Quem sabe depois que eu estiver morto, reconheçam minha glória, assim como reconheceram a glória de tantos outros, ilustres, que me precederam. Isso. O Nobel fica para depois que eu morrer, pois não preciso desses troféuzinhos estúpidos, dados por quem vota em um texto que, aposto, nem leram. Sueco lá sabe ler romeno??? Eu nem queria o Nobel, seus chatos...

3 comentários:

Michele P. disse...

No bom e velho português: rachei de rir! Ri muito mesmo! kkkkkk
E,apesar de chamar-me de puxa-saca bloguística (e outras pequenas ofensas disfarçadas em elogios...riso)eu acho que você merecia o tal Nobel (que a propósito, dependendo da pronúncia, [rsrs] rima com: fiel, novel {sig:bisonho ou de pouca idade- rs), cruel, corsel, tropel, cascavel).
Mas como eu ia dizendo, você merecia...
Escreve como poucos, usa e abusa com conhecimento e efeito de nossa língua, sabe ser satírico mas realístico ao mesmo tempo e consegue prender a atenção de seus leitores de forma prazerosa.
Desta forma,se isso serve como consolo, dou-lhe o meu singelo voto.

Kelly disse...

Cel,

Só alguém tão amigo de Jesus pra sse tão iluminado... E olha que nem é o Original...rs

FAÇO CORO:

Ele é formidável... Avel. Avel, avel...

Amei o texto...rs

Beijocas

luciana disse...

NÃO ENTENDO SEUS LEITORES...

Quando você faz um puta texto triste do caramba, com tendências suicidas, todo mundo elogia, e quando faz uma pérola dessas, ninguém dá as caras...rs

VAI ENTENDER...

AMEI O TEXTO, AMEI AS RIMAS, E O LULA TÁ IM-PA-GÁ-VEL!


BOA NOITE PRA TI