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Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

SOBRE A ORIGEM DAS COISAS

Entre os meus inúmeros passatempos, está o ato de pensar. Não que as outras pessoas não pensem ou não tentem entender o meio que as cerca, pelo contrário, pensam muito, mas sei que, diferente da maioria, costumo pensar sobre tudo, apegar-me a detalhes que poucos percebem, tentando observar um outro ponto de vista, diferente daquele defendido pelo resto do planeta.
Existem coisas nesse mundo que me intrigam mais do que tentar descobrir porque os americanos votaram no George Bush na segunda eleição (tenho uma explicação limpa, clara e politicamente correta, mas não estou com saco para contá-la...) ou por que as mulheres andam com tantas coisas dentro da bolsa, se bem que, ao ver uma mulher, desesperada (mulher sempre se desespera facilmente!), tentando encontrar o telefone celular, que toca, também desesperado, com seu toque escalafobético, no meio dos trezentos e noventa e quatro itens que carrega na bolsa, não há como não perguntar:
“Por que as mulheres andam com tantas coisas dentro da bolsa?”
Eu e minhas dúvidas... Do jeito que estou em uma maré de azar, aposto que, na próxima encarnação, vão me fazer mulher somente para que eu consiga entender o motivo de tantas coisas guardadas dentro de um espaço tão pequeno, apesar de que, chato como sou, com certeza me questionaria:
“Por que eu carrego tantas coisas dentro de minha bolsa? Será que tenho algum problema mental?”
Sortudo foi o gato Félix e sua bolsa...
Tornando a minha mania de observar as coisas não muito observadas, acredito que as dúvidas surjam para obrigar-nos a pensar sobre o mundo e, pensando, chegarmos a alguma conclusão sobre o que vemos, ouvimos e sentimos... Os maiores cientistas do mundo somente tornaram-se grandes porque tinham dúvidas, tinham as cabeças vazias de pensamentos comuns e cheias de questões grandes (algumas nem tão grandes, mas deixemos o texto quieto), mas, necessariamente, sem respostas. A dúvida é, sempre, a força motriz que impele o ser humano a buscar e aventurar-se em lugares nunca antes tocados pelos simples dos mortais (que bonito isso! Eu e minhas obras poéticas...). Em suma, se não fosse a curiosidade de Adão, não haveria humanidade... Vivas à curiosidade!
Como quase qualquer pessoa quase normal, tenho meu caderninho de coisas que me deixam curioso, daquelas que, se pensar muito, fico noites e noites sem dormir. Coisas que percebo ao meu redor em meu cotidiano e, mesmo usando-as sempre, mesmo tendo contato diário ou sabendo manuseá-las, me obrigam a indagar, quando cai o silêncio da noite e os grilos cricriam pelo meu jardim:
“Mas como diabos isso foi inventado? Por que isso é assim e não assado?”
Minhas dúvidas ocorrem em quase todos os aspectos que rodeiam e norteiam o ser humano. Coisas do tipo:
“Como colocaram a etiqueta na frigideira com teflon, se nada gruda no teflon?”.
Ou ainda:
“As japonesas fazem ‘alisamento japonês’?”
“Se o mundo é de Deus, e eu sou filho de Deus, por que pago aluguel no final do mês?”
“Porque os kamikazes usavam capacete?”
Muitas são as dúvidas que me corroem a alma quando coloco a cabeça no travesseiro, mas há uma em especial que sempre me intrigou, algo que penso quase todos os dias, com vários enfoques diferentes, e que nunca chego a uma conclusão. A maior de minhas dúvidas é referente a algo que quase todos gostam, pode ser feito de diversas formas, possui muitas cores, tamanhos, uns compridos, outros menores, alguns cheirando mais forte, outros com cheirinho suave. Não, não falo de sexo, seu mente suja! A dúvida que mais me corrói a alma é: de onde vieram os queijos???
Tento imaginar sua origem e sempre caio nos mesmos pensamentos. Imaginação ao longe, sem rédeas, me levando para os tempos pré-históricos, época em que o queijo, não um queijo qualquer e sim o queijo primordial, provavelmente, foi inventado... Fecho os olhos e vejo um homem, bem longe, muito longe... Aos poucos, a imagem se aproxima, em pequenos solavancos, e percebo que o homem que vi não era um qualquer: é um homem das cavernas, típico habitante dos primórdios da humanidade, com clava na mão, barbudo, olhos esbugalhados e roupa de pele de tigre dente-de-sabre. Por uma dessas singularidades que só os escritores compreendem, sei o seu nome: Grunch das Cavernas.
Grunch observa tudo à sua volta. É um sábio, um alquimista da natureza. Observa os céus, observa as florestas, os animais, o sol e a lua.
Mora em uma caverna ampla, duplex, em cuja frente cresceu um grande pasto, e é lá, naquele pasto, que Grunch observa algo que o intriga sempre: vê um pequeno bezerrossauro mamando nas tetas da vacassaura e sempre que vê a cena, começa a matutar consigo mesmo. Percebe que daquilo que a vacassaura tem pendurado na barriga, sai um líquido branco, quase cremoso. Depois de observar, já se aproximando do animal, ele percebe que apertando o mesmo lugar onde até poucos minutos o filhote mamava, aquele líquido sai em grande quantidade.
Acaba de descobrir que consegue extrair leite (música para descobertas pré-históricas...). Sim, leite, algo que se tornaria, muitos séculos depois, em um dos mais importantes alimentos da humanidade, conseguido do nada, somente bolinando um animal no pasto.
Grunch experimenta e adora o sabor de leite fresco. Faz vários outros testes: puxa as tetas de sua mulher, sem sucesso. Tenta com outros animais, alguns enormes e que possuem tetas diferentes daquelas da vacassaura, alguns, nota com interesse científico, com teta única. Fracasso: quando não é quase morto pelos dinossauros, que se enfezam ao serem apalpados em áreas tão íntimas, obtém um leite grosso e quente, que sai em jorros e possui um sabor muito diferente daquele que extrai de sua conhecida vacassaura.
Entre quase morrer para obter aquele leite diferente e continuar somente bolinando a sua vacassaura, nessa altura do campeonato, já chamada de “Vaca”, ele fica com a segunda opção. Grunch é primitivo, é das cavernas, mas de burro não tem nada.
Com o tempo, ele acaba gostando tanto daquele leite da Vaca que tenta guardá-lo, para tomar mais tarde, com Nescau. Quando percebe que ainda não há Nescau, guarda o leite assim mesmo, pois mesmo puro, é uma bebida deliciosa... Pensa que, em breve, precisa inventar o Nescau...
Grunch tira cada vez mais leite da Vaca, e acaba, um dia qualquer, tirando mais do que conseguiria consumir. Deixa guardado, para “amanhã”, mas no outro dia acorda com febre: fora mordido por uma espécie de mosquitossauro, chamado dengossauro, e nem se lembra daquela bebida que está guardada num canto qualquer de sua caverna. Dona Grunch, que cuida do marido, nunca foi chegada em leite...
Quase uma semana depois, Grunch, melhor da febre, volta a sair da caverna. Olha sua Vaca, lá fora, pastando, e tem uma vontade danada de tomar leite. Como ainda está fraco devido à doença que contraíra, prefere tomar o leite que guardou ao invés de tentar perseguir a Vaca, para tirar leite fresco.
Qual não é sua surpresa quando, ao abrir o recipiente de pedra onde guardara sua bebida, encontra um produto novo, compacto, cheirando azedo, surgido do nada. Ele cheira aquilo, toca com o dedo e sente a consistência meio gelatinosa, lambe o dedo, sente o gosto, mas tem nojo de comer aquilo. Porém, a dúvida começa a corroê-lo:
“Uga buga, buga uga, guga buba, guba juga, bruga tuba, crush grush!!!”*
*(tradução automática do homem-cavernês para o português: “Se essa meleca surgiu do leite que eu deixei aqui, será que não pode ser tão bom quanto ele?).
Grunch, um dos primeiros grandes cientistas das cavernas, tentou, tentou, mas não conseguiu comer aquilo. O sacrifício seria grande demais para ele... Lembrou-se de sua sogra, Ricota, que morava em sua caverna desde a época em que Grunch, num ato impensado, deu com uma clava na cabeça de sua mulher (que ainda não era sua mulher!) e, puxando-a pelos cabelos, arrastou-a para sua caverna. Mal sabia ele que a mulher, esperta, iria arrastar a mãe, o pai e os irmãos para viverem junto aos dois...
Dos cunhados, Grunch já havia dado conta. Acabou convencendo-os dos milagres do leite e do futuro dos laticínios e, para testar o “leite” dos maiores dinossauros, colocava, sempre, seus cunhados. Um deles acabou morrendo afogado, depois de uma gozada de um brontossauro, enquanto o outro havia sido comido por um tiranossauro rex, enquanto tentava ordenhá-lo.
O sogro havia fugido de casa com uma homídea peluda e loira, que, mesmo peluda, era mais sexy do que a esposa. Faltava a velha...
Grunch sabia que a única força da natureza que possuía meios de fazer a velha se calar, fora à morte, mesmo que por poucos segundos, era comida. Não que ela não falasse de boca cheia, mas é que, glutona como era, enchia tanto a boca que não havia espaço para falar... Sogras, sempre sogras... Feliz foi Adão que não teve sogra, mas voltemos...
Grunch chamou-a, explicou que havia criado uma nova receita e mandou-a experimentar. Se aquilo fosse bom, ela diria, e se fosse venenoso e ela morresse, também seria bom, para Grunch, claro. Ela relutou por alguns instantes, mas ele insistiu:
-Uga bugenta! Uga bugenta!*
* (tradução: -Experimenta! Experimenta!).
Com a pressão do genro, ela acabou comendo aquele que seria o primeiro queijo da humanidade, ao qual Grunch deu-se o nome de ricota! Aquele homem comum, mas observador, havia descoberto uma forma de transformar a sua bebida favorita em sua comida favorita! Deu-se assim, a origem do queijo...
Quando penso nessa história, dou graças a Deus por haver nascido em um mundo onde tantas coisas já foram inventadas. Adoro queijos, mas odiaria ser, por exemplo, o primeiro humano que experimentou um gorgonzola, que é, diz a lenda, o único queijo que não tem origem na Terra. Foi trazido do espaço por Flash Gordon, ao voltar, fugido, do planeta Górgon, ato que, na realidade, causou a verdadeira irritação do Imperador Ming, pois em Górgon, somente o imperador poderia comer aquele queijo sagrado, feito pelas monjas sagradas, que viviam na montanha sagrada, produzido pelas vacas sagradas, que comiam o capim sagrado do pasto sagrado, mas isso é outra longa história, que não pretendo contar, pois não gosto de ficção-científica e,cá entre nós, nem lembro direito do Flash Gordon...
E isso me faz pensar, quando penso na origem das coisas: de onde saiu à idéia do primeiro supositório?
O ser humano é tão criativo, às vezes...

Um comentário:

Andréa disse...

Você já havia me mandado esse texto e eu adorei a primeira vez que o li, mas novamente me peguei rindo das suas idéias extremamente originais hoje. Continue sempre assim... Seus textos fazem eu acreditar que ainda há excelentes escritores soltos por aí, a despeito de tanta bobagem que tem sido publicada ultimamente. Vida longa ao seu talento! Beijos!