SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

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terça-feira, 3 de junho de 2008

A Busca pela Felicidade

Muitas vezes me questionei sobre a felicidade: afinal, de contas, é isso que buscamos por toda a vida, todos, sem exceção. Afinal, o que é ser feliz?
Algumas pessoas responderiam a essa questão de pronto, dizendo que ser feliz é ter dinheiro, emprego, saúde, trabalho... A maioria diria que ser feliz é amar e ser amado, outros que ser feliz é estar vivo, alguns que ser feliz é servir a Deus... Como é difícil conceber algo que todos procuram... Como pode ser tão difícil imaginar algo que deveria ser tão óbvio, que deveria ser tão natural quanto respirar e comer ou ser algo tão simples que pudesse ser estampado, em letras garrafais, em uma camiseta infantil?
Ser feliz deveria ser como gostar de batata-frita, algo que, por mais chato que se seja, por mais novo ou mais velho, por mais rico ou mais pobre, por mais feio ou mais lindo, todos gostam. Nunca vi alguém que não goste de batata-frita, apesar de que, com certeza, ao ler-me, algum chato dirá:
-Eu odeio batata-frita...
Desculpe, amigo, mas não me interessa sua opinião: se não gosta de batata-frita, não sabe o que está perdendo!
Por mais óbvio que pareça, muitas pessoas - senão a grande maioria - passam a vida toda buscando a maldita felicidade, eu incluso. Muitas não se dão conta disso, pois muitas pessoas nem chegam a se dar conta que estão vivas e vão morrer. Acordam, vão para o trabalho, voltam, comem, dormem, acordam, vão para o trabalho, num circulo vicioso cujo destino final é o caixão enfiado numa gaveta escura de um cemitério e um completo sentimento de não vivi se o defunto pudesse dizer o que pensa...
Procurei no dicionário o que significa essa enigmática palavra: o que o Houaiss diz que é essa tal de felicidade?

Fe.li.ci.da.de: sf. qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar

Não fiquei feliz com essa explicação, mas acredito que ela é a mais correta. Ao ler o que o Houaiss diz que é felicidade, percebi que ela não é nada mais do que momentos felizes, horas doces, lembranças agradáveis, que acabam. É impossível estar satisfeito todo tempo, todo dia, o dia todo, e deve ser um porre não ter o que xingar vez ou outra... Depois de algum tempo, nos tornaríamos insatisfeitos somente para mudar de clima e ares. É o natural do ser humano. Contentamento também, por maior que seja, é finito e acaba. Podemos passar a vida toda sonhando em comprar uma Ferrari, e quando realizamos nosso sonho, ficamos contentes, eufóricos, satisfeitos, mas depois de seis meses andando nela, será que o dono ainda entra na Ferrari pensando:

“Nossa, eu tenho uma Ferrari...”?

Não sei porquê, mas acredito que não. Acho que, depois de seis meses, ele entrará em sua Ferrari da mesma forma que alguém entra em seu fusca 69. Não há contentamento que sempre dure. E isso porque eu não lembrei ao dono da Ferrari que daqui a seis meses ele terá que pagar o IPVA de seu brinquedinho...
Sempre me achei ansioso demais com os problemas do mundo, com o andamento da galáxia ou com a passagem dos cometas, com as burradas do Lula e roubos do PT. Preocupo-me com a existência de vida extraterrena da mesma forma que me preocupo com a guerra do Iraque, e isso, às vezes, me incomoda. Nessas horas, em que me sinto um chato de galochas, penso comigo mesmo se não seria melhor ser um burraldo, que não sabe nada de nada e que levanta, vai trabalhar, volta, come, dorme, levanta, vai trabalhar... Nunca chego a uma conclusão...
Morro de nojo ao ver um menino pulando da pontezinha de madeira que atravessa o córrego que corta a favela onde ele mora, pois sei que, naquela água, existe sujeira, doenças, lixo, esgoto. Mesmo assim, consigo perceber de longe o olhar e o sorriso de satisfação que esse mesmo menino dá ao cair naquela água, por mais imunda e fedorenta que seja, num dia de calor infernal. Tenho certeza de que, naquele momento, ele não sente nenhuma inveja de mim, que o observo, desse lado da avenida, engravatado e apertado dentro de um paletó quente e baforento. No fundo, invejo aquela ignorância que o permite fazer aquilo que eu queria fazer - e faria com certeza - se não soubesse das doenças ou não estivesse com atrasado ou não tivesse um chefe cretino que exige horário e prazo de entrega.
Nunca pulei num corregozinho, nem ao mesmo nadei em um riacho desses que cortam as cidades. Sou um cidadão urbano-moderno-civilizado, acorrentado a todos os complexos problemas estresso-urbanizantes que giram ao meu redor.
Se eu fosse um deles, com certeza já teria meu filho, e que se dane minha cachorra ou meu jardim ou o signo sob o qual nasceria meu pimpolho. Provavelmente teria uns quatro filhos, pois que se dane o controle de natalidade. Natalidade, para mim, seria algo relacionado ao Natal, tipo espírito natalino ou coisa que o valha. IPTU, taxa de lixo, eleição, CPF, conta de luz, água, condomínio... Tudo tão estressante e tão distante para eles... Plano de saúde? “O SUS é ruim, mas atende do mesmo jeito... Não é lá que nascem as crianças?”
Às vezes acho que felicidade é ter saúde e ignorância... e uma bela, grande, quente e calórica porção de batatas- fritas...

3 comentários:

Andrea disse...

Sempre me impressiono como você consegue colocar em um texto muita coisa que eu penso. E concordo em partes, porque eu odiaria ser ignorante, jamais seria feliz. Quanto a ter saúde... Bom, você sabe o quanto isso é importante para mim. Sempre foi e sempre será, e é sempre o que desejo a todos que quero bem. Seu texto continua impecável... Um abraço!

Mônica Andrade disse...

MA-TOU-A-PAU!

Cada dia mais te admiro como escritor... Vir aqui me faz ver a vida com outros olhos e pensar com outra cabeça e perceber que a vida pode ser muito diferente do que imaginamos que seja...

Parabéns! Você é meu escritor vivo favorito...rsrsrsr

bjs

Kelly disse...

Cel,

Deu até vontade de comer batata frita e esquecer tudo o que acontece de ruim nomundo...

Texto maravilhoso, como todos...

saudades de voce, mocinho!

Bjs e espero que a sua mocinha esteja cuidando bem do senhor, viu?