SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

Chega junto, arruma um banquinho, senta aí e vem comigo!

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

SAUDADES...

E eis que eu fuçando aqui, dou de cara com meu blog, que acabou ficando meio (MEIO???) esquecido no tempo...
Será que consigo tirar a poeira e tornar a blogar?
Sinto falta...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

FUTURO, REFUGIADOS E PRECONCEITOS

E eis que chegamos a 21 de outubro de 2015: finalmente, chegamos ao FUTURO!
Futuro, eita palavrinha tão mal utilizada, mas que traz tantas esperanças consigo...
Lá em 1989, quando o DE VOLTA PRO FUTURO II foi lançado, eu era um pirralho, no alto dos meus 14 anos de idade, que achava que o futuro distante de 2015 seria o ápice da civilização humana. Queria meu skate voador, meu tênis que amarra sozinho e minha jaqueta auto-secável. Daquele boné feio, eu abria mão...
Cheguei a 2015 não de Deloren, como eu desejava, mas sim pelo caminho mais longo e pesado de todos: vivendo dia após dia, hora após hora (quase  9.500 dias ou 228.000 horas, pros curiosos) pra fazer o mesmo percurso que a máquina do tempo fez em 15 segundos...
Mas cheguei, estou vivendo no futuro e me desapontei, assim como sei que Marty McFly vai se desapontar, com certeza...
Não estou falando da falta do skate voador ou dos carros voadores, nem ao menos hidratador de alimentos (que seria uma ótima sacada!). Não, não é por isso que Marty se decepcionará. Os motivos são outros...
Em pleno 2015, milhares de refugiados tentam salvar suas almas, fugindo duma guerra louca (existe guerra sã?), cruzando o Mediterrâneo para chegar à civilizada Europa... E muitos morrem no final. E muitos dos que não morrem, percebem que essa mesma Europa, que há pouco mais de meio século permitiu algo como o nazismo, hoje permite neo-nazistas, direitistas loucos e xenófobos de todas as espécies.
Imagine que futuro lindo seria esse nosso se a Europa tivesse aprendido com o passado e fosse mais civilizada, mas acolhedora? A Alemanha, grande vilã da história, aprendeu, mas o resto se finge de morto...
(Pena, pois parece que os europeus já se esqueceram que fugiram de lá e vieram pra cá e pro resto do mundo exatamente fugindo duma guerra louca?)

Daí a gente conversa com um amigo e ouve isso:
AH, MAS ISSO É LÁ EUROPA: NO RESTO DO MUNDO CIVILIZADO AS COISAS ESTÃO MELHORES!
Quem o dera...
Comecei falando de um filme clássico, e vou a outro, mais clássico ainda, que será retomado esse ano, mas precisamente no dia 17 de dezembro: STAR WARS 7.
Delirei ao ver o primeiro trailer, sem o George Lucas pra fuder tudo com seus Jar Jar Bins...  Sorri muito ao ver o segundo e sonhei com o filme ao assistir o terceiro. Mas no quarto, foi diferente. Tive vergonha de pertencer à raça humana no quarto... E preferia um filme lotado de Jar Jar Bins do que um mundo com pessoas como as que apareceram depois do lançamento do trailer...
Não que o trailer seja ruim, pelo contrário: deve ser o melhor trailer já feito na história! 
O que me envergonhou não foram as cenas que assisti, e sim os comentários que li, das pessoas que se dizem "fãs", dos humanos que habitam o "futuro"... 
Vi grupos pedindo BOICOTE AO STAR WARS não porque o diretor era ruim ou porque não teria mais o Darth Vader: pediam pra boicotarmos porque os protagonistas são um NEGRO e UMA MULHER...
Simples assim: muitas pessoas simplesmente pediam que boicotássemos o filme por causa do sexo de um protagonista e da cor do outro. Isso em 2015, o "ano do futuro", na semana da vinda de Marty McFly!!
Cada pessoa tem o direito de pensar o que quiser: isso é direito básico e nada pode abalar isso. Pensar é a chave da existência humana.
Até aí tudo bem: quer pensar que o protagonista deveria ser branco, ao invés dum "negão", esteja a vontade: pense! Quer pensar que a protagonista deveria também ser branca caucasiana, ao invés de uma "reles mulher", manda bala: pode pensar, é seu direito inalienável ser tapado...
Mas CALE ESSA BOCA E MANTENHA ESSE SEU PENSAMENTO IMBECIL DENTRO DESSA CABEÇA IGUALMENTE IMBECIL! Não poste sua mediocridade para o mundo, não compartilhe seus ódios infundados, não envenene pessoas com seus preconceitos cretinos!
Chegamos a 2015: há 152 anos houve a abolição da escravatura americana (no Brasil, só 127). O presidente dos EUA é negro, mas ainda falamos de racismo e boicote a filmes com negros protagonistas...
Chegamos a 2015, ou seja, 96 anos depois das mulheres conseguirem direito a votar e serem votadas (no Brasil, só 83). O próximo presidente dos EUA poderá ser uma mulher. Dos 4 últimos Secretários de Estado americanos, 3 foram mulheres. E ainda falamos de sexismo e boicotes a filmes com mulheres protagonistas...
Tudo o que me resta é pedir desculpas a Marty McFly pelo mundo horroroso que nós, como homens e mulheres do futuro, apresentamos a ele...
O "futuro" pede desculpas, torcendo para que o "futuro do futuro" seja menos imbecil, menos racista e que cuide melhor dos que necessitam, não por ser isso questões humanitárias: simplesmente por serem QUESTÕES HUMANAS!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Eternos Anos 80...

Sempre me perguntam:
PORQUE OS ANOS 80 SÃO TÃO LEMBRADOS? PORQUE VOCÊS VELHALDOS NÃO DESLIGAM DISSO, DESSE TEMPO QUE JÁ PASSOU?

Tenho duas respostas: uma curta e outra longa. A curta é curta e simples: 
PORQUE SIM,  E NÃO ME ENCHE!

A longa, eis a longa aqui: 
Nós vivemos hoje na época MENOS CRIATIVA de toda a história... Parece exagero? Vamos aos fatos:

As crianças NÃO SABEM BRINCAR! Recebem tudo tão mastigado dos seus vídeo games que não brincam de guerra, nao andam de bicicleta fingindo ser polícia é ladrão, não sabem como era bom IMAGINAR os Comandos em Ação lutando, sonhar de olhos abertos e ver os helicópteros voando, as armas atirando, os foguetes soltando fogo... Não fazem sequer o barulho de tiro com a boca, pois os brinquedos fazem isso sozinhos! Eu pegava um pedaço de bambu e o transformava numa espada Jedi! Pra eles, um pedaço de bambu só remete à piada com o Silvio Santos...
Onde isso se reflete?

Não se CRIAM mais filmes: ou são histórias de gibis antigos ou são remakes... Cadê um Indiana Jones, um De Volta Pro Futuro, um Forrest Gump? Os poucos filmes bons e originais que saem são pra poucos: negócio hoje é massificação! Homem aranha foi super bem feito no começo dos anos 2000 e já tem DOIS REMAKES!! 
O grande filme de 2015 foi JURASSIC PARK! E Mad Max! E estamos loucos pra ver STAR WARS!! (E só sai porcaria: alguém gostou do novo Vingador do Futuro? E Indiana 4? E são loucos pra refilmar OS GOONIES!)
Na Globo, só REMAKE: refilmam novelas dos anos 70, 80 e até 90, por falta de gente que consegue criar! E só sai merda: não há o talento dos atores, não há o brilho dos diretores! Aquele Victor Valentin do Benício tem de nascer mil vezes pra chegar perto do VICTOR VALENTIN dos anos 80!! 
A Record, super criativa, traz HISTÓRIAS BÍBLICAS! Nem comento...

Na música, estamos órfãos eternos: é tudo descartável! Até as Lady Gagas da vida criam musicas que podem durar um, dois anos, mas será que alguém a ouvirá em 2050? Madonna também, assim como todo mundo: o último cd do U2 foi dado de graça e nenhuma música virou hit: cadê o JOSHUA TREE da nossa época? É tudo descartável: a "rainha do pop" de hoje será a velha doida de amanhã, e as musicas desaparecem... 
Está tão fraco que mesmo com muito esforço não encheríamos o Rock um Rio com gente que deveria e tem capacidade pra estar lá! Os grandes shows são dos velhotes! 

Nunca antes estivemos tão conectamos, tão informados, tão bem equipados como hoje, mas nunca tivemos uma geração tão medíocre quanto a atual... 
Talvez é por isso que os anos 80 não morrem nunca: foi ali o último lampejo realmente criativo e coletivo desse bando de pessoas que não sabem o que querem e chamamos carinhosamente de HUMANIDADE...


sábado, 28 de fevereiro de 2015

O QUE VOCÊ FAZ?

Muitas pessoas me questionam sobre minha profissão: afinal, senhor Celso, o que você faz?
Resposta complexa essa...
Responder que sou Administrador de Empresas é muito óbvio, pois, apesar de ser, meu trabalho vai além disso...
Explico-me:  Não consigo dissociar "ORGANIZAÇÃO" de "INOVAÇÃO". Para mim, a existência da primeira exige a segunda, isso é regra básica, darwiniana: evolução existe, quer queiramos ou não...
Nos negócios, vale o mesmo: não acredito em empresas estagnadas tecnologicamente ou que acham que encontraram "a fórmula" para funcionarem. A Kodak achava que era a dona do pedaço e faliu: as câmeras digitais destruíram a indústria dos filmes fotográficos e tudo o que nela estava inserida. Hoje, uma sobra triste do que foi antes, tenta se reinventar... Pior para a Kodak, foi ela mesma quem criou a primeira câmera digital, mas "deixou na gaveta" por não acreditar na ideia... Não fossem tapados, será que haveria uma Cânon hoje em dia?

Em 2008, a Polaroid também pediu falência, o que comprova que dominar um negócio jamais é garantia de sucesso infinito: ou INOVA ou MORRE com o tempo...
Quando vejo gigantes nacionais que não deram aquele PASSO para evoluir, sinto que a existência da empresa foi apenas captar dinheiro e que ela perdeu sua chance de ser importante, relevante. Claro, toda empresa existe para ganhar dinheiro, mas aquele salto, aquela faísca que muda tudo e faz história não pode jamais ser perdida de vista! Nem que seja para ganhar mais dinheiro! Ter 10 e se contentar com 10 é o que faz a diferença entre algo que vai durar e algo que será finito, pois um dia vão fazer o mesmo que você e se contentar com 8, reduzindo custos e ganhando numa disputa "pau-a-pau"... Mas ninguém disputa "pau-a-pau" com o líder da inovação: estão sempre correndo atrás para ver se ao menos empatam o jogo (Vide Sansumg correndo atrás eternamente da Apple...)
Sempre me questiono porque a Votorantin, por exemplo, nunca deu o salto entre ser uma exportadora de comodities e se tornou a única empresa nacional fabricante de automóveis, por exemplo. Ela é dona do minério, da usina, da cidade, da mão-de-obra, do capital!!! Faltou só vontade, e ficou o comodismo de ficar na mesmice... 
Para mim, faltou muita visão e uma empresa que poderia ser mundial se porta como conformada em ser somente grande no Brasil, que, cá entre nós, em nível planetário nem fede nem cheira...
A Índia tem um Tata, que criou o carro Nano (lembram dele? Pequeno, o mais barato do mundo e funcional) e fundou a Tata Motors, quase que vinda da mesma origem da Votorantin, mas hoje uma vende carros, outra vende pedras...
Em suma, meu trabalho, o que me dá tesão, é participar dessa cadeia de inovações, criar e liderar os grupos que vão promover mudanças em áreas que até ontem considerávamos estáveis. Ajudar uma empresa pequena a crescer, ganhar mais, pagar melhor, abrir filiais... 
Minha praia é olhar, perguntar mil vezes PORQUE SE FAZ ASSIM e não assado, porque esse caminho e não outro? Por a mão na massa e aprender como se faz, melhorá-lo, por em pratica e mostra que É POSSÍVEL MUDAR...
Sou bom em encontrar outros caminhos e passagens secretas, que estavam ali e ninguém tinha visto. Depois que os aponto, claro, todos dizem: AH, MAS É ÓBVIO, NÃO?, mas até apontá-los, ninguém os via...
Acho que, no fundo, meu segredo é que APRENDI A ENXERGAR... 
Claro que nem tudo são flores, e os processos de mudança dão trabalho, mas erra quem imagina que a parte mais difícil é criar as inovações: essa é a parte fácil!
A parte difícil são os humanos que mexerão com as mudanças: convencer o "chefe" a mudar uma coisa que para ele nasceu assim, sempre foi assim e sempre será assim... Complexos de Gabriela são os grandes entraves para mudanças, principalmente em empresas familiares.
Aliás, sobre empresas familiares, uma constatação: quase sempre a mesma mão que ajudou a criar algo, que tirou leite de pedra e conseguiu montar um negócio, é a mesma mão que vai impedir esse negócio de crescer e expandir! 
É um parto para mostrar que é preciso informatizar, que é preciso uma marca, um gerenciamento digital de estoque, pagamentos online, treinamento e capacitação dos funcionários... Cada passo, cada mudança, é uma pequena guerra!
A ideia de EU QUEM FIZ, ENTÃO EU SEI FAZER é o que difere empresas que nasceram para serem medíocres e um grupo Pão de Açúcar, por exemplo. Imagina o pai do Abilio Diniz falando que já mexia com padaria há sei-lá-quantos-anos e que não era pra mudar nada:

-QUE MANÉ SUPERMERCADO, ABILIO! VESTE O AVENTAL E VEM PRO BALCÃO!

O componente humano das mudanças é sempre o ponto nevrálgico do sucesso ou do fracasso de meu trabalho. Já tive casos de reduzir a mão-de-obra em 20% e mesmo assim conquistar crescimento de produção na ordem de 100%! Mas como há "chefes" e "líderes", todos os ganhos foram perdidos quando me desliguei da empresa: aos poucos, os detalhes iam retrocedendo, os cuidados sendo perdidos e quando viram estavam mais uma vez nas cavernas, perdendo tudo o que foi conquistado com tanto trabalho.
Máquinas não são nada, prédios não são nada, patrimônio não é nada sem um CAPITAL HUMANO bem treinado e motivado! A IBM, com todo seu gigantismo e dinheiro em caixa jamais foi páreo para a novata Apple, que pagava menos, era mil vezes menor mas tinha gente motivada e criativa em suas linhas! Com a vantagem de que, por não perder sua essência, a Apple continuou a crescer até ser a maior empresa do planeta... (No único momento em que perdeu a "alma", quando John Sculley demitiu Steve Jobs, a empresa foi quase a bancarrota, pois passou a disputar com o mundo com PRODUTOS, enquanto que sua alma era dominar o mundo com suas INOVAÇÕES!)
Acredito em inovação, acredito em treinamento, acredito em gente, e acredito que cada detalhe conta para o resultado final. 
Quando me perguntam O QUE VOCÊ FAZ?, minha primeira resposta é clássica: sou Administrador de Empresas. (com um orgulho danado disso!).
Mas lá no fundo, minha resposta seria outra. Em meu íntimo, eu respondo: EU AJUDO A MOLDAR O FUTURO... Mesmo quando, pelo caminho, eu tenha de enfrentar os neaderthais do mundo...


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Solteiro de 40 Anos...

E um dia olhei direito a página de amigos do Facebook e percebo uma coisa que estava ali, escancarada, esfregada na minha cara, exposta aos quatro ventos e eu não havia percebido, feito aqueles velhinhos que procuram desesperadamente os óculos pela casa toda e esquecem-se de procurar na testa...

Começou quando uma amiga postou que estava grávida:  dia desses ela entrou no meu blog, meio perdida, depois começou um seu, depois escreveu um livro, depois escreveu outro, depois casou, e agora essa de ter filho! (parabéns, Michele Pupo Brenner!E dessa amiga olhei mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais um, e outro, e mais aquele que era comedor e tem uma filha linda com quase 15 anos para fazê-lo pagar por tudo aquilo que fez... E percebi que meus amigos estão casando, alguns até já separando, outros recasando de novo (gente burra!), os filhotes nascendo, alguns desses filhotes casando também e, pasmem, ficando grávidos...

Olho para todos e percebo que eles são daqueles que sabem o que querem e onde estão. E olho para mim e percebo que eu ainda não sei de nada e nem faço a mínima ideia do que terei no almoço!

Estou sentado no sofá de minha sala de TV, que na verdade era um quarto e eu quis por que quis tacar os sofás, a TV e chama-lo de “sala” de TV (coisa chique, benhê!). A tela grande na parede, ligada ao computador me dá um monitor de 42 polegadas que é minha janela para o mundo, lar do meu Facebook, do meu Youtube, do meu Gmail... E logo ao lado do note, vejo uma coleção de panfletos, cardápios de comida delivery que ainda não provei. Os que costumo pedir estão no meu celular, que é meu apêndice cibernético, parte de meu corpo e de minha vida, meu vicio não químico: se roubarem meu iPhone, morro de fome e inanição. Fato.

Ao lado da TV fica minha guitarra, que não aprendi tocar mas fica ali, exposta, como se eu fosse um Slash possível ou um Satriani ainda desconhecido. Quando me pedem pra tocar, digo:


UM DIA DESSES, UM DIA DESSES...

(minha torcida é para que um meteoro atinja a Terra antes desse dia chegar)

Tenho meu X-BOX, que quase não uso mas fica ali, mostrando que se eu precisar, posso liga-lo e dar porrada nos inimigos ou matar meus chefes em minha imaginação.

Saindo da sala de TV damos de cara com uma prateleira, cheia de DVDs, meus queridos... Tudo original, nada de camelô, com mais de 500 filmes clássicos dos clássicos... E nessa mesma prateleira estão meu Iron Man, meu Buzz Lightyear, meu Shrek, meu Pluto, que foi o primeiro brinquedo que ganhei na vida...


Finjo que são decoração, mas quando ninguém olha, acho que eles se mexem...

Na sala propriamente dita, por onde entramos na casa, tenho uma sala de jantar e minha LEGO ROOM: uma mesa enorme onde monto minha cidade Lego e onde estão expostas minhas coleções, diga-se de passagem, meu grande orgulho! E detalhe: SÓ EU TASCO A MÃO!

Algumas pessoas olham torto quando sabem disso, mas minha resposta é simples:

Tem gente que bebe, tem gente que fuma, tem gente que dá a bunda, tem gente que pesca, eu curto Lego!

No meu quarto, em cima da cama, nada de fotos de paisagem: bem no alto da cama, um pôster dos Rolling Stones, que sempre quis e HOJE TENHO! Ah, e acabei esquecendo: na sala de TV, as paredes também são cheias de pôsteres: um do PODEROSO CHEFÃO, outro dos Simpsons, mais um do filme Pulp Fiction, outro, menor, da Harley Davidson...



A geladeira enorme, que eu abro e sinto um vácuo, e onde acabo de ver algumas frutas indo desta para melhor (se decompondo e criando uma nova categoria de bactérias mutantes seria mais apropriado).

(pausa para limpar a geladeira)

Vejo tudo isso e me vejo parte de mim. Minha casa é assim, um misto do que sou e me tornei, minha cara, meu porto seguro, minha carapaça do caranguejo canceriano ascendente escorpião que sou...

E dai, no meio disso tudo, vejo meus amigos casando, tendo filhos, tendo netos, separando, e eu vivendo alheio a isso, tentando me esquecer de que estou a beira dos 40... e tendo de ouvir de vez em vez:

- Quase 40 anos e solteiro?
- Hum... Aí tem coisa!

Convivo rotineiramente com gente me olhando torto, com cara de analista freudiano, tentando me decifrar, afinal, para um mundaréu de pessoas, morar sozinho aos 40 é coisa de nerd, tipo o daquele filme O VIRGEM DE 40 ANOS. 

Como não é esse meu caso, afinal, não sou nerd, sou geek, as pessoas passam, automaticamente, para a segunda hipótese, pois ser solteiro perto dos 40 implica, necessariamente, em esconder um grande segredo (Ó, NA VERDADE, SOU UM HEMAFRODITA TRANCAFIADO NESSE CORPO DE GAROTO!), um pecado pesado (tipo ter comido a cunhada) ou uma doença contagiosa, tipo ebola, febre tifoide ou hemorroidas expostas...

É o que eu chamo de fator "qualé a dele", muito usado por “sogros” e “sogras” e bisbilhoteiros de plantão...

O "qualé a dele" desconsidera qualquer opção que não envolva um escândalo sexual ou uma tragédia mexicana para minha solteirice. 

Entre os clássicos do "qualé a dele", destacam-se:

1 - Certeza que é gay, e cansou!;

2 - Ele ainda é apaixonado pela ex, que casou, mudou de país e nem ramadã deseja!;

3 - Deve ter um pinto em L pra esquerda!;

4 – Ronca muito, come de boca aberta e bate na mulher;

5 - Trata-se de um egoísta, traumatizado, comedor inveterado e tarado sexual!

E haja teoria! 
"É fugitivo do FBI!"
"Ele é da Al-Qaeda e está aqui disfarçado! Você viu aquela barba dele? Não me engana!"

"Aposto que ele mata as mulheres e come, com cebola e shoyo!" 

Morar sozinho, ter uma casa, com a MINHA CARA, arrumada do JEITO QUE GOSTO, só faz o “qual é a dele” ficar mais intrigado. Não ter filhos e não saber se quero só aumenta essa intriga, afinal, é isso o que "TODO MUNDO FAZ, POR QUE ELE TEM DE SER DIFERENTÃO?"

Minha frase para quem pensa assim:

Um solteiro pode ser tão idiota quanto um homem casado, mas ele ouve isso MENOS VEZES.

Um dia vou pagar por isso, eu sei. Cobranças para esse tipo de comportamento sempre chegam. 

Não agora. Não já.

Tô bem assim. E um dia qualquer eu surpreendo meu amigos, só pra ver a cara dos que perguntavam em voz alta: 
qual é a dele”?



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Chuva tímida...

E estava chovendo. Uma chuva gostosa, não forte mas não fraca, gotas consistentes e uniformes. E molhadas...
Abri a janela do quarto e vi a chuva caindo, e vi que imagem linda tinha em minha frente: as gotas fortes batendo na grande mangueira do quintal do vizinho, carregada de mangas, que escorriam a água que recebiam.
Resolvi eternizar a imagem: não seria a melhor foto que fiz na vida, mas para nós, paulistas, seria uma imagem cheia de significância.
Corri para o quarto, peguei minha t5i, abri a bolsa. Peguei o corpo da câmera, abri a tampa. Peguei a lente 18-135, abri a traseira. Atarraxei na câmera. Coloquei-a sobre a cama e fui a sala de TV, buscar o chip. 
Peguei-a, embuti o chip. Regulei o ISO, a abertura, coloquei uma velocidade alta para captar as gotas.
Tudo ok, fui à janela e feito isso percebi que A CHUVA JÁ HAVIA PARADO!
Eis a questão que me saltou aos olhos: essa nova leva de chuva, essa Geração W, é TÍMIDA!! Basta falarmos dela no Facebook para que ela pare! Quando ela ouviu o "click" dá câmera, fugiu envergonhada sei lá para onde!
Por isso clamo: PAULISTAS: não comentemos mais sobre a chuva! Façamos de conta que ela não está ali! Finjam que não a viram, que sequer se molharam! Não a filme, não a fotografe, não agradeça! 
Se puder, vire de costas à porta quando ela cair e fale sobre a Petrobras ou sobre a vida sexual dos cactos, mas não comente sobre a chuva, essa tímida e dispersa ação da natureza que some ao menor sinal de que a vimos...
Quanto às minhas fotos, tirarei uma qualquer, só para não perder o trabalho de ter montado a câmera e ficado de lente na mão...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sobre a Felicidade...



Hoje vi alguém muito importante em minha história questionar-se: O QUE É FELICIDADE? O QUE É SER FELIZ?

Muitas vezes me questionei sobre a felicidade: afinal, de contas, é isso que buscamos por toda a vida, todos, sem exceção. Afinal, o que é ser feliz?

Algumas pessoas responderiam a essa questão de pronto, dizendo que ser feliz é ter dinheiro, emprego, saúde, trabalho... A maioria diria que ser feliz é amar e ser amado, outros que ser feliz é estar vivo, alguns que ser feliz é servir a Deus... Como é difícil conceber algo que todos procuram... Como pode ser tão difícil imaginar algo que deveria ser tão óbvio, que deveria ser tão natural quanto respirar e comer ou ser algo tão simples que pudesse ser estampado, em letras garrafais, em uma camiseta infantil?

Ser feliz deveria ser como gostar de batata-frita, algo que, por mais chato que se seja, por mais novo ou mais velho, por mais rico ou mais pobre, por mais feio ou mais lindo, todos gostam. Nunca vi alguém que não goste de batata-frita, apesar de que, com certeza, ao ler-me, algum chato dirá:

-Eu odeio batata-frita...

(Desculpe, amigo, mas não me interessa sua opinião: se não gosta de batata-frita, não sabe o que está perdendo!)



           

Por mais óbvio que pareça, muitas pessoas - senão a grande maioria - passam a vida toda buscando a maldita felicidade, eu incluso. Muitas não se dão conta disso, pois muitas pessoas nem chegam a se dar conta que estão vivas e vão morrer. Acordam, vão para o trabalho, voltam, comem, dormem, viajam, mudam de país, acordam, vão para o trabalho, num circulo vicioso cujo destino final é o caixão enfiado numa gaveta escura de um cemitério e um completo sentimento de não vivi se o defunto pudesse dizer o que pensa...

Procurei no dicionário o que significa essa enigmática palavra: o que o Houaiss diz que é essa tal de felicidade?

Fe.li.ci.da.de: sf. qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar

Não fiquei feliz com essa explicação, mas acredito que ela é a mais correta. Ao ler o que o Houaiss diz que é felicidade, percebi que ela não é nada mais do que momentos felizes, horas doces, lembranças agradáveis, que acabam. É impossível estar satisfeito todo tempo, todo dia, o dia todo, e deve ser um porre não ter o que xingar vez ou outra... 

Depois de algum tempo, nos tornaríamos insatisfeitos somente para mudar de clima e ares. É o natural do ser humano. Contentamento também, por maior que seja, é finito e acaba. Podemos passar a vida toda sonhando em comprar uma Ferrari, e quando realizamos nosso sonho, ficamos contentes, eufóricos, satisfeitos, mas depois de seis meses andando nela, será que o dono ainda entra na Ferrari pensando:

“Nossa, eu tenho uma Ferrari...”?

Não sei porquê, mas acredito que não. Acho que, depois de seis meses, ele entrará em sua Ferrari da mesma forma que alguém entra em seu fusca 69. Não há contentamento que sempre dure. E isso porque eu não lembrei ao dono da Ferrari que daqui a seis meses ele terá que pagar o IPVA de seu brinquedinho...

Sempre me achei ansioso demais com os problemas do mundo, com o andamento da galáxia ou com a passagem dos cometas, com as burradas do Lula e roubos do PT. 
Preocupo-me com a existência de vida extraterrena da mesma forma que me preocupo com a guerra do Iraque, e isso, às vezes, me incomoda. Nessas horas, em que me sinto um chato de galochas, penso comigo mesmo se não seria melhor ser um burraldo, que não sabe nada de nada e que levanta, vai trabalhar, volta, come, dorme, levanta, vai trabalhar... Nunca chego a uma conclusão...

Morro de nojo ao ver um menino pulando da pontezinha de madeira que atravessa o córrego que corta a favela onde ele mora, pois sei que, naquela água, existe sujeira, doenças, lixo, esgoto. Mesmo assim, consigo perceber de longe o olhar e o sorriso de satisfação que esse mesmo menino dá ao cair naquela água, por mais imunda e fedorenta que seja, num dia de calor infernal. Tenho certeza de que, naquele momento, ele não sente nenhuma inveja de mim, que o observo, desse lado da avenida, engravatado e apertado dentro de um paletó quente e baforento. No fundo, invejo aquela ignorância que o permite fazer aquilo que eu queria fazer - e faria com certeza - se não soubesse das doenças ou não estivesse com atrasado ou não tivesse um chefe cretino que exige horário e prazo de entrega.

Nunca pulei num corregozinho, nem ao mesmo nadei em um riacho desses que cortam as cidades. Sou um cidadão urbano-moderno-civilizado, acorrentado a todos os complexos problemas estresso-urbanizantes que giram ao meu redor.

Se eu fosse um deles, com certeza já teria meu filho, e que se dane minha cachorra ou meu jardim ou o signo sob o qual nasceria meu pimpolho. Provavelmente teria uns quatro filhos, pois que se dane o controle de natalidade. Natalidade, para mim, seria algo relacionado ao Natal, tipo espírito natalino ou coisa que o valha. IPTU, taxa de lixo, eleição, CPF, conta de luz, água, condomínio... Tudo tão estressante e tão distante para eles... Plano de saúde? “O SUS é ruim, mas atende do mesmo jeito... Não é lá que nascem as crianças?”

Às vezes acho que felicidade é ter saúde e ignorância... e uma bela, grande, quente e calórica porção de batatas- fritas...




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Violência contra a mulher

Hoje o papo é sério, sem piadas ou palavras de duplo sentido. 
Sempre discuti e debati esse assunto, mas nunca havia falado sobre esse tema, no Facebook, pois sempre achei que era denso demais para ser debatido aqui, nesse site azul e branco, tão cheio de futilidades e baboseiras e fotos de gatinhos.
Apesar disso, sempre foi um assunto que esteve na ponta da língua, que fazia parte de meus pensamentos e que sempre me incomodou.
A violência contra a mulher é colocada como mais uma das modinhas que temos nesse mundo cada vez "mais fresco" em que vivemos. Colocam como mais uma reclamação, como a onda de bullying, onde um ovo de páscoa que te chama de comilão é motivo pra apreensão de material. Ou tantos outras reclamações que essa democratização da palavra nos permitiu fazer. 
Pra muitos, violência contra mulher é mais uma das frescura do Facebook.  Até pra algumas mulheres, que acham que isso tudo é simples "falta de louça pra lavar"...
Não é! Talvez, junto com o racismo, seja um dos temas mais importantes da sociedade, que não é tratado com o devido mérito e importância...
A violência contra à mulher é real, está aí, além das estatísticas, além dos dados que aparecem nos jornais.
É algo que acontece não só na favela distante com mulheres que são incultas e iletradas, praticado por pedreiros bêbados. Não, isso é o que nosso preconceito nos faz pensar, pra podermos dormir em paz.
Sou homem, solteiro, sem filhos. Namorei muito, conheci muitas mulheres, ouvi muitas histórias, e não saia com a mulher iletrada e sem estudo que achamos que é a típica vítima de violência. Mas vi e ouvi tanta dor e revolta...
Conheçi a mulher casada que encara estupro como algo rotineiro, que pode acontecer qualquer dia, quando o marido estiver bêbado ou de mau humor. Isso quando não apanha. Isso quando não apanha e é estuprada. Isso quando não chama a polícia, faz B.O. e ouve que foi só "briga de marido e mulher, não podemos fazer nada..."
Vi outra que, apesar dos "nãos" repetidos e em voz alta, foi forçada a praticar sexo por alguém muito mais forte e que fingiu-se de surdo. Uma coisa é aquele "não" que diz sim, outra é o "não" que diz "NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO"...
Tinha aquela que apanhava do marido e voltava pra ele, até tomar outra surra e perdoar dali uns dias, mesmo gravida, com olho roxo. E essa fez uma enxurrada de filhos, e está presa com o fulano por não ter profissão nem estudo direito...
Ainda mais uma que quase foi estuprada por um namorado bêbado, e teve de lutar com unhas e dentes pra escapar do fulano, fugindo as 4 da manhã, vestida com uma jaqueta jeans para cobrir as roupas rasgadas, andando por uma avenida escura e perigosa. Um estranho, que ele sim deveria representar perigo, foi a mão salvadora naquele dia, naquela longa avenida, no caminho são e salva até a casa.
Ah, e tinha mais uma, aquela que era tratada feito lixo, com sua auto-estima sendo sucateada mais e mais a cada dia, até se converter num reles buraco onde um animal buscava prazer de vez em vez...
Há aquela outra que era nada, somente à empregada e puta do marido, pois ensinaram na droga da religião que ela devia obedecer e não questionar. Casou-se aos 16, sem profissão e sem ter sequer vivido, e sua única vida era aquela, trancada em casa, em nome dum deus que jamais dava as caras...
Teve até aquela, mais safadinha, que começou um sexo anal, sentiu dor e pediu pra parar, e não pararam, e continuaram até conseguirem a humilhação da menina e o prazer do pseudo-homem em quem ela confiou...
Não conheço ninguém que more em uma favela, mas conheço pelo menos umas 11 mulheres que sofreram estupros e ficou por isso mesmo. Disseram NÃO, pediram pra parar, e mesmo assim, ninguém ouviu, ninguém parou.
As histórias que contei são verdadeiras, de gente que não entrou nas estatísticas. São o lado negro dessa mania nacional de pensar que violência acontece longe, noutra cidade, noutra estado. 
Violência contra a mulher é algo que está aí, ao seu lado. Pode ser com sua filha, com sua irmã, talvez até com sua mãe. 
Será que, em pleno século XXI, ainda ficaremos de braços cruzados?
Saramago tinha uma frase, que era assim: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." E eu completaria: Se repara, enxerga, se enxerga, AJA!

Celso Aímola

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mais passos...

São quase quatro da manhã, e acabo de realizar um sonho de mais de 20 anos: sou dono de meu próprio domínio! Pois é, o www.AIMOLA.com.br é do papai aqui!
É um presente pra mim mesmo, depois de quase 20 anos de militância nessa tal de internê... 
E um presente para o Diário de Santa Helena, que sei que tenho deixado de lado, mas continua em meus planos mais do que nunca...
A compra de meu próprio domínio é parte de um plano maior, que é transformar o Diário na base de uma plataforma de internet digna do nome... Mais alguns passinhos estão sendo dados pra isso: o irmão mais novo do Diário, o Cozinha do Celso, também ganhou seu endereço próprio: cozinhadocelso.com.br!
E os dois serão unha e carne dentro em breve, garanto! Porque cozinhar não me ajuda a descarregar o que sinto no peito e carrego na alma. E escrever não enche o bucho 
Noite feliz! Vou dormir agora...