SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

A História que Quero Esquecer...

Sempre fui o Forest Gump da minha família. Não que eu tenha problemas mentais (há controvérsias, mas sigamos): pareço com ele por viver contando as minhas historias... Sinto-me completo e realizado quando consigo colocar em uma folha de papel algo que existe somente em minha cabeça, na forma de lembranças.

Sempre sou honesto e torno-me uma puta quando escrevo, arreganho-me todo e solto tudo o que aparece em minha cabeça, sejam idéias boas ou más, sejam engraçadas ou tristes. Vou morrer mesmo, por que guardar segredos?

Mesmo assim, arreganhando-me todo, acabo escondendo esquecendo alguma história, às vezes, como se houvesse um bloqueio que não me permitisse lembrar o quão tonto ou jeca ou feio eu fui.

Todos, sempre, temos um dia, um mês, um ano, uma hora ou um fato que gostaríamos de apagar, e eu também tenho os meus. Também tenho histórias que nunca contei e gostaria de esquecer, e hoje, comendo um danoninho que encontrei na geladeira, lembrei do meu dia que gostaria apagado...


Tinha seis anos. Fazia as compras de minha mãe e ia e vinha do supermercado três, quatro vezes, às vezes cinco idas e voltas seguidas, causadas por minha mãe, que por PUTA FALTA DE SACANAGEM nunca fazia uma lista de compras e devia ter um alzheimer embutido na memória...

Saía, chegava ao supermercado, comprava e assim que colocava os pés para dentro da porta da cozinha, minha mãe era atingida por um raio miraculoso, uma luz divina vinda dos céus, que a fazia lembrar de duas ou três coisas que ela havia esquecido antes. Lá ia o escravo Isauro de plantão, EU, voltar pelo mesmo caminho e comprar o que faltava. Chegando em casa, novo milagre, e adivinhem o que acontecia?



-Ai, meu filho... Esqueci o molho de tomate... 

Sim, lá ia o pobre filho, mais uma vez, ao supermercado... Toca Celsinho ir de novo às compras...

Em geral, lá pela terceira viagem, meu pai, que observava a tudo quieto, ficava com pena do pobre escravo da casa e dava uns trocados a mais, para eu comprar um chocolate ou um danone ou uma bolacha, MAS, NESSE DIA, meu pai não estava em casa.

Na quarta ida ao supermercado, deu-me uma vontade louca de tomar um danone. Pedi a minha mãe, e ela, para mostrar sua descendência dos feitores de escravos da Zona da Mata, sabidamente os mais cruéis entre todos, respondeu ao meu pedido com uma única palavra:

-NÃO!!!!- com todos os quatro pontos de exclamação.

Fiquei bravo, muito bravo, pois quatro idas ao mercado e nem um danoninho?

Entrei no supermercado e fiz as malditas compras mas, antes de passar pelo caixa, resolvi, ao menos, olhar os danones...

Havia muitos. Os de morango, os de tomar, os iogurtes... Mas haviam alguns com a tampa estourada, do tipo que alguém esticou o dedo indicador e “tuf”, furou a tampinha, lambendo o dedo e saindo feliz, com seu gostinho de iogurte na boca.

Vi aquilo e, na mesma hora, o outro ser que habita em mim disse:

-Vai lá, seu tonto... Você merece! Além do mais, tanta gente já fez isso!!! 

Como não tenho anjo e sim um outro Celso que se hospeda em meu corpo, pensei que ele estivesse certo. Estiquei meu indicador e andei até a geladeira de danones... Pé-ante-pé, chego à geladeira e ouço-o confirmando:

-Taca o dedo! 

Obedeço. Furei a tampa do danone e lambi, prazerosamente, o meu dedo. Vitória. Glória.

Após saciar a minha sede de conquistas, segui, com a cara mais lavada do mundo, até o caixa.

Enquanto passava as compras de minha mãe, veio um senhor grandão (ou eu que era pequeno?), segurando-me pelo braço, dizendo em alto e bom tom:

-Bonito, né, moleque!! 
-Obrigado, mas até que eu estou mal vestido hoje... – respondi.

Ele me arrastou pelo braço até a geladeira de danones, pegou o que eu havia acabado de furar e disse:

-Vai pagar ou quer que eu chame seu pai aqui?

O meu maldito outro “eu” ficou quieto. Ele não entendia nada de crimes e esqueceu de mandar-me olhar para os lados. Procurei-o em minha mente para descobrir o que diria, qual a melhor resposta para dar ao grandão, mas neca de pitibiribas!

Paguei o danone e saí do supermercado com a cabeça baixa. Meu primeiro e único crime havia sido descoberto. Voltei até minha casa triste, mas comendo o danone, que fui obrigado a pagar, o mesmo danone que quase me pôs atrás das grades...

Vergonha! 

Tive meu dia de criminoso. Podia ter-me tornado o Celsinho Beira Rio, o rei do roubo de cargas de danones, mas fui pego e nunca mais repeti meu crime.

Mas, cá entre nós, por ter ido quatro vezes ao supermercado, eu bem que merecia um danoninho de minha mãe, a carrasca...

É por isso que existem tantas crianças que crescem, revoltadas por aí... Começam com um danoninho, e no final da vida, atrás das grades, descobrem o que eu descobri muito cedo em minha vida:

“O crime não compensa!”. 

4 comentários:

Michele P. disse...

Ahhhhhhhh! Agora sim! Este é o modo de escrever tão particular que me cativou quando conheci o seu blog.
Estava sentindo falta de "leveza" aqui no diário. Você andava muito azedo. rs

Abraços sempre polêmicos, mas verdadeiros. rs

Yeruska Thobila disse...

hahahhaa adorei!!!
tipo de texto q a gente mal nota, e já leu tudo....

Flávia disse...

Coitadinho, nem um danoninho????
MInha mãe tbem sempre me dizia não, mas agora que cresci, tomo todos os danoninhos que tenho vontade.
Você só esqueceu de contar o que sua mãe fez ao ver resultado do crime quando chegou em casa...
Bjs

Anônimo disse...

É....e a JUSTIÇA foi feita, rs!

Aqui se faz...aqui se PAGA!

Você tem que realmente contar a parte 2 dessa história: a reação dos pais, eheh!

O pai defendeu o furo no danoninho e a mãe do outro lado surtando?

Que fim deu isso?