SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

Chega junto, arruma um banquinho, senta aí e vem comigo!

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domingo, 2 de maio de 2010

PROFISSÕES

Um dia, magicamente, sacanamente, infelizmente, crescemos, e quando essa tragédia acontece, percebemos coisas que sequer passavam em nossas mentes infantis e puras e angelicais. Não me refiro a sexo, nem às drogas nem sequer ao bom e velho rock’n’roll: o crescer nos obriga a enxergar o inenxergável, ouvir o inaudível e perceber que somos obrigados a comprar a nossa própria comida, pagar nossas contas, lavar nossas roupas...

Percebemos que a geladeira não é tão automática quanto pensávamos que era, que Papai-Noel não funciona sem dinheiro no bolso e que a luz que ilumina nossas vidas não é um presente de Deus por sermos bonzinhos. Como num passe de mágica, um dia reparamos que para comprarmos o tênis do momento, para ir ao cinema ou para sair com aquela gatinha que dá a maior bola  precisamos de dinheiro... E dinheiro, apesar de ser de papel, não dá em árvores!

Estranha essa relação com dinheiro. Pedimos para o nosso pai, e ele, como representante oficial de Deus na Terra, abre sua carteira e nos dá. Crescemos mais um pouquinho e continuamos pedindo, e ele, assim como Deus, nos dá. Mais um pouco de crescimento, mais um pouco de desejos, e ainda assim, pedimos e ganhamos. Que bom ser criança! A natureza continua agindo. O GH faz o seu papel hormonal e continuamos a crescer, nossa hipófise trabalha e nos tornamos adolescentes, conscientes, que sabem ler e escrever e entendem de inflação. Pedimos dinheiro a nosso pai e descobrimos que ele não entende de inflação, e aquele dinheirão que ele nos dava há alguns anos diminuiu muito nos últimos meses. Falamos, candidamente:

-Pai, me dá cinquentão para eu ir ao cinema?
-Quarenta? Pra que trinta? No meu tempo, vinte era muito... Toma dez e divida com seu irmão! 


Nossos pais não entendem o mundo e a vida... Precisamos de dinheiro para nossas necessidades básicas, como tomar o lanche da cantina, ou comprar presentes para aquela menina que nos explora na escola, ou ainda para termos o último cd daquela banda que será a melhor de nossas vidas, mas que daqui um ano não suportamos mais ouvir... Um dia qualquer, uma hora qualquer, num instante qualquer, nossa vida é mudada pelo sentimento que, invariavelmente, ataca a todos: precisamos trabalhar!

Já tive muitas profissões nessa vida, ou, ao menos, sonhei em ser muita coisa. Sei que é comum as pessoas sonharem em trabalhar com isso ou aquilo, e sei o quão raro é essa pessoa acabar trabalhando com aquilo que sonhava quando criança...

Quando era pequeno, sonhava ser o Michael Jackson, apesar de eu não saber se isso é profissão. Olharia em minha carteira de trabalho e veria, em letras garrafais:

Profissão: Michael Jackson 

Salário: 2 milhões de dólares mensais 
Sexo: indefinido 

Vergonha das vergonhas, mas fazer o quê? Pelo menos, eu já sou branco e teria meio caminho andado...

Cresci um pouco mais, deixei de ser besta, e sonhava em ser bombeiro!

Queria, por longos e duradouros dois meses! Um dia, descobri que eram os bombeiros que resgatavam os mortos do rio Tietê e que eram eles faziam respiração boca-a-boca em bêbados... Perdeu todo o glamour...

Mais uma decepção e mais uma profissão: resolvi que meu destino seria ser astronauta! Iria, como Neil Armstrong, pisar a Lua, navegar pelo espaço, pilotar um ônibus espacial... Veio a Challenger e estragou tudo...

Quis ser desenhista, mas nunca tive apoio em minha casa e não pude desenvolver o meu talento. Talvez por isso, em matéria de arte, eu seja uma cavalgadura ambulante, mas deixemos isso pra lá... Poderia ser um Van Gogh, um Picasso, um Anito Malfato, mas não deixaram... Azar da arte contemporânea! 

Já quis ser professor de história, mas desisti. Cantor de rock, mas canto mal igual ao Tiririca. Guitarrista, mas não sei nem tocar flauta. Piloto de Fórmula 1, mas não gosto de velocidade. Jogador de basquete e até prostituto!

Sim, meu caro leitor, prostituto, mas com um projeto todo diferenciado para alavancar minha carreira: pensei em inventar algo do tipo “DISK-PUTO”, que era igual a um DISK-ENTULHO, só que para que mulheres que, gostosonas e carentes, ligassem para mim e pedissem que eu as salvasse da solidão de uma sexta à noite... Desisti rapidinho, quando descobri que não eram as “mulheres gostosonas e saradas” as principais freguesas dos pobres garotos de programa...

Assaltante de banco, Big Brother, soldado, dono de bordel, amante de mulher rica, trombadão... Uma a uma, minhas opções iam caindo, desmoronando, quanto mais eu crescia e quanto mais eu aprendia sobre a profissão que estava pensado em abraçar.

Acabei sendo administrador, e escrevendo nas horas vagas... No fundo, por acaso, acabei descobrindo o que gosto de fazer, e tento viver disso o melhor possível. Eu adoro escrever!

Ainda tenho dúvidas sobre a profissão ESCRITOR. Em nada isso se parece com o que eu sonhava em meus tempos de criança ou adolescente. Nunca sonhei em passar os dias catando milho no teclado de um computador, para que, depois de escrever minhas opiniões, fosse julgado e alguém dissesse se escrevi algo válido ou algo inútil.

Talvez, no fundo, todas as profissões sejam iguais a minha, pois todos têm aquela pessoa que as julga, que avalia, que paga pelo serviço, que julga... Odeio ser julgado, mas fazer o quê? Faz parte de minha labuta colocar meus pensamentos em um papel. E, pensando bem, comparando-se com outras profissões, sou um cara feliz. E pensar que eu poderia ter sido um Michael Jackson! (aliás, melhor que ele, até ser prostituto!)

4 comentários:

Flávia disse...

Que bom que vc resolveu escrever...acho que vc nao ia ficar bem, vestido com as roupas do Michael Jackson.


Beijos, boa semana e juízo!

Michele P. disse...

Acho que já tinha lido este texto por aqui...

Divertido, como sempre.
Mas me senti lesada e chateada ao lembrar que estou constantemente te julgando...rsrs

Fazer o quê? Faz parte da minha profissão: PALPITEIRA.rs

Beijo grande!

Flávia disse...

Por onde anda meu escritor predileto?
Esqueceu de seus pobres seguidores?


BJS

Jeany disse...

Eu já tinha lido também!

Este é bem legal MESMO!

Postei um poeminha novo! Dê uma olhadela!

Beijão!