SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

Chega junto, arruma um banquinho, senta aí e vem comigo!

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quinta-feira, 27 de março de 2008

de CARA COM A MORTE II - A Missão

Dia desses, escrevi aqui os momentos em que senti-me como se já fosse homem ao mar. Contei o sentimento do medo, da dor, da sensação de ser observado pela Morte, que havia escolhido aquela noite para me levar sei-lá-pra-onde – que vida estranha essa: não sabemos de onde viemos nem para onde vamos... - e contei que só não fui com ela, aceitando seu delicado e singelo convite, pelo fato de que lembrei-me que ainda havia duas obras por terminar; um livro meio lido e um livro meio escrito...
Jamais imaginei o tamanho do reboliço que iria causar com aquele texto: chegaram a ligar em minha casa para saber se eu ainda estava vivo!
-Alô, quem fala?
-É a Cléia... Com quem gostaria de falar?
-Ah, dona Cléia! Já li sobre a senhora... seu filho sempre a usa como desculpa quando chega atrasado, não é?
-Pois é, sou eu mesma... Quem fala e com quem gostaria?
-Então, dona Cléia, meu nome é Maria e gostaria de falar com seu filho... isso é, se ele ainda estiver vivo...
Claro e óbvio que os diálogos não eram exatamente assim, mas achei que dessa forma a dramaticidade aumentaria... Na verdade, ela pediu para falar comigo caso “ele não estiver de cama ou indisponível...”
Então, como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que não morri!
Ao Maurilio, para quem emprestei um livro do Saramago:
-Dançou, meu filho, e vai ter de devolver!
Para minha irmã, que estava de olho em meu computador:
-Dançou, minha filha: papai aqui ainda é o dono do desktop!
Para a tia da Ana Claudia, que achou que já poderia vender o livro que tem o meu primeiro autografo por um milhão de dólares:
-Dançou, tia da Ana Claudia: meu autografo jamais valerá um milhão de dólares, enquanto eu for vivo!
E para aquelas pessoas que se preocuparam comigo:
-Obrigado a cada um de vocês... Desculpe pela preocupação que fiz, cada um a seu modo, passar. Mesmo assim, foi muito bom saber que, se eu batesse as botas, algumas pessoas, mesmo que só por alguns instantes, sentiriam minha falta e uma pequena dose de tristeza...
Meu medico falou que é stress. Meu jeito perfeccionista de dono do mundo me leva a passar noites sem dormir quando alguma coisa dá errado ou quando quero alguma coisa que está longe de meu alcance e, aqui pra vocês, já que estamos só entre amigos, posso assegurar que muitas coisas tem dado errado e há um infinito de outras coisas fora do meu alcance, de onde deduzimos duas coisas:

1) Tenho que aprender a lidar com isso, pois, por mais que tente, não conseguirei conquistar o mundo;

2)Meus estresses serão eternos, pois acho que tenho que conquistar o mundo.

Dito isso, avaliadas as avaliações, ponderadas as ponderações e concluídas as conclusões – poderia também acrescentar redundadas as redundâncias – ficou o básico: tenho de contar mais até dez, tenho de colocar minha cabeça em projetos mais plausíveis e tenho de arrumar um hobby que me distraia a cabeça, além dos que já tenho, pois, por mais que eu queira:

a)O Lula não vai renunciar;
b)O FHC não vai voltar;
c) A Hilary Clinton não vai ganhar;
d) O Obama não vai parar;
e) O dólar não vai baixar;
f) Meu salário não vai aumentar;
g) Minhas professoras de inglês e espanhol não vão faltar e
h) Eu não quero mais me casar.

(vocês não imaginam o esforço homérico e criativo que tive de fazer agora, para arrumar frases lógicas, que combinassem comigo, e terminassem em “ar”)

Contemos até dez, então, já que o mundo não pode ser como queríamos que fosse... (mas que seria um mundo bem mais legal, isso sim, seria...)

Um comentário:

Andréa disse...

Interessante... Essa história de perfeccionismo me persegue, e o stress que você descreve já me pegou muitas vezes desprevenida. Gostei também... Fica feliz que seu autógrafo não está valendo um milhão ainda... Isso mostra que você está muito vivo, e pronto a escrever mil textos.

Andréa