SOBRE O BLOG

Miscelânea intuitiva de gostos, sonhos, desejos, angústias, paixões e destemperamentos, e,porque não, de ódios, raivas e estresses... Miscelânea é assim: TEM DE TUDO!

Meu Diário de Bordo da solidão, meu painel de idéias e guia de entendimento, tudo misturado com humor, drama, terror, anti-corintianismo, sentimentos e doses homeopáticas de papo sério.

Chega junto, arruma um banquinho, senta aí e vem comigo!

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

HOMENS E MULHERES

Todas as pessoas precisam de alguém. O homem é um animal social por excelência. Procuramos nossas parceiras, companheiras, maridos, mulheres, amantes, namorados, concubinas, amásias, amásios, desde que o mundo é mundo e o homem é homem (e a mulher é mulher...). Faz parte de nosso ser essa busca pelo que alguns chamam de "outra parte".

Procuramos alguém por sabermos que não nos damos conta sozinhos, que não nos bastamos para sermos plenos. Procuramos alguém para que sintamos preenchido um vazio que nem nós mesmos podemos explicar, um vazio primordial, inato e tão profundamente arraigado ao corpo quanto a própria alma. Essa busca, às vezes prazerosa, às vezes dolorida, muitas vezes sem sucesso e outras vezes conclusivas, faz parte de nossas vidas e quase nunca paramos para pensar e ponderar sobre o verdadeiro preço que pagamos por nossa felicidade...

Conhecemos alguém, paqueramos, namoramos, achamos que aquela pessoa é a "tal" e quando vemos, quando observamos melhor o que nos rodeia, percebemos que tudo está acabado, e sofremos, e choramos, e respiramos fundo, acalmamos nossos sentimentos e começamos tudo de novo: paqueramos, namoramos, acreditamos que aquela pessoa é especial e, quando percebemos, está tudo acabado, e sofremos, e choramos, e respiramos, e acalmamos os sentimentos e, burrice das burrices, lá vamos nós mais uma vez...

Estranho isso de procurar alguém. Sempre acreditei que esse "alguém"
deveria aparecer, surgir do nada, explodir em nossa frente com uma luz vinda do céu, raios, fumaça, trombetas tocando, anjos coloridos em volta do ser amado, sinos e mais sinos tocando para afirmar, com certeza divina, que aquela pessoa é "aquela" pessoa, pois, afinal, se "alguém" fez o que chamamos de "outra parte", esse "alguém" deve saber quem é e, honestamente, não acho que seria muito esforço dar uma mãozinha na hora H, que é a hora que conhecemos essa pessoa... Já que teve o trabalho de fazer dois seres que se encaixam, teve o trabalho de separá-los, mas deixando empírico nessa separação que o destino os unirá, então bem que poderia dar uma ajuda e produzir alguns efeitos especiais para firmar terreno, demarcar que aquele território é justamente o "nosso" território, afinal, a história do mundo é cheia de milagres, tipo um mar que se divide em dois, um sol que pára de girar, uma arca que salva todos os tipos de animais de uma enchente destruidora... Não custaria muito dar uns raios e trovões, fazer um vento que soe diferente, obrigar cinqüenta pombos brancos a dar uma revoada em volta do escolhido, enviar um anjo tocando harpa, vestindo uma camisola...

Mas não. Os desígnios divinos querem que descubramos o maldito ser escolhido... Quer que desenvolvamos o nosso lado Sherlock Holmes, que utilizemos nos "sentido de aranha", que separemos o joio do trigo, achemos uma agulha no palheiro, não confundamos gato com lebre e levemos a montanha a Maomé, pois ele não vai à montanha sozinho, o preguiçoso...

Nosso destino nesse planeta é procurar, por tentativa e erro, a pessoa ideal, destinada a completar-nos...

Difícil essa procura, pois não sabemos os critérios da escolha inicial. Gosto de morenas, mas Deus pode ter me destinado uma ruiva ou até, quem vai saber seu humor naquele dia, uma careca... Nesse caso, minhas chances de encontrar minha outra parte são mínimas, pois nunca fiquei com uma ruiva nem com uma careca, e se pensar bem, devo conhecer três ou quatro no mundo, somando-se carecas com ruivas...

Também gosto de baixinhas, mas vai saber se meu destino não está traçado com uma jogadora de basquete, dois metros e dez de altura, pé tamanho quarenta e nove, que vai me pegar no colo e me chamar de "Catatauzinho Querido"...

O mais interessante nesse processo de busca é que nunca temos a menor idéia do que estamos buscando, o que faz com que todas as oportunidades sejam válidas, o que é bom, pois podemos "procurar" muito, mas também faz com que o resultado dessa busca seja como ganhar na mega-sena acumulada três vezes...

Honestamente, prefiro uma busca árdua a ser chamado de "Catatauzinho Querido", por mais que tenha que me esforçar para completar a minha busca, até porque pode acontecer que essa história de "outra parte" seja somente balela para vender livros e os que acreditaram na história do ponto azul sobre o ombro estejam destinados à solidão suprema, morando em um cômodo do fundo, fedendo mofo, cheio de livros velhos na prateleira...

Vai saber o que Deus estava pensando quando fez minha outra parte...

2 comentários:

Deborah (Alma Collins) disse...

Esta é a famosa procura da alma gêmea, se bem que eu acho que isto não existe. Muito bom seus textos. Gostei. Obrigada pela visita em meu blog. Um grande abraço

Lú disse...

Vim dar uma olhadinha no blog e vi que vc andou postando ultimamente! Ficou inspirado durante o Carnaval?
Gostei do seu texto, eu tava pensando em algo parecido esses dias. Seria muito fácil se ¨a¨ pessoa surgisse do nada e tudo desse certo, terminando com ¨...e viveram felizes para sempre¨... mas também não teria tanta graça! (ou teria?)

bjuss